quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O culto da Árvore e a 1.ª República


Sem pretensões de ser comentarista de serviço, gostaria de lembrar aos portugueses em geral, e aos florestais em particular, que a memória do passado deve ser preservada, relida e reutilizada no sentido de que os erros do passado não se repitam e que as virtudes passadas se repliquem.

A comemoração dos 100 anos de República, quer de certa maneira, concentrar todas as virtudes republicanas num período curto de 10-15 anos (1ª República), onde a consolidação (ou negação) de práticas florestais ancestrais se deve exclusivamente ao espírito laico e republicano. O passado histórico de cariz fortemente régio e/ou religioso é completamente banido do ideário republicano.

Reconheço algumas acções meritórias neste período republicano, como sejam as arborizações dos sistemas dunares frágeis, pântanos, zonas desertificadas etc.

Não reconheço mérito nenhum à crescente e galopante estatização da floresta, à excessiva centralização e peso dos serviços florestais estatais, à visão completamente distorcida a partir de Lisboa das diversidades geográficas, locais e sociais de Portugal, ao apagão histórico e sistemático do passado.

Não reconheço mérito nenhum à introdução de espécies exóticas de crescimento rápido que se tornaram claramente invasoras e distorceram completamente o tecido florestal existente e autóctone.

A lei das sesmarias é menosprezada; o contributo das ordens religiosas na estratégia de florestação e agricultura do interior do país ficou completamente/convenientemente esquecido dos portugueses;

A nova ordem republicana apenas ratificou o desmantelamento da velha ordem que o liberalismo do século XIX liquidou. Com a liquidação da velha ordem, o Estado esse, começou a engordar a partir de 1834, tirando ao sector privado e/ou religioso o protagonismo florestal que sempre teve, de uma forma sustentável, duradoura e local.

Foi a partir dessa data e não com a República, que o Monstro-Estado-Florestal começou a dar os primeiros sinais de insustentabilidade, descontinuidade e centralidadade.

Foi a partir dessa data que o Erário Público ficou refém do crescente despesismo do Monstro Estatal Florestal.

Nestes 100 anos de república são omitidos praticamente 40 anos de ditadura da 2ª república, que de republicana tinha muito pouco, mas foi fruto da irresponsabilidade e mediocridade da 1ª. Mesmo assim e tirando algumas derivas de autoritarismo cego e monosespecífico na floresta, existiu neste período alguma estabilização e organização do sector florestal, até mesmo poupanças em termos orçamentais do erário público.

Assim, se juntarmos a ineficácia, ineficiência e a instabilidade do Sector Florestal Estatal da 3ª república pós 25 de Abril de 1974, poderemos concluir que nestes 100 anos, com ou sem República, com ou sem Ditadura, com ou sem Estado, com ou sem subsídios, a Floresta Portuguesa continua na mesma. E porquê? Porque a floresta em estado selvagem é independente do homem. O verdadeiro problema é que o homem não é independente da floresta.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Os grandessíssimos filhos da PT...

Aquela grande PT... ganha pingas por todo o lado. Trabalha dia e noite sem parar. Pinga daqui, pinga dali, pinga acolá. Os filhos esperam.
Toda a gente recorre aos seus ancestrais e públicos serviços, pagando o que pode e o que não pode.
Aquela PT... está gorda, anafada mas mesmo assim atrai clientela pela calada. Quase não se dá por ela, mas onde está, está lá. Os filhos esperam.
Mas aquela PT..., trabalha, trabalha. Atende, atende. Entra chamada, sai chamada. Tece teia, faz malha, faz rede. Mete liga e desliga. Mas no fim o cliente paga e cala. Os filhos esperam.
Mas o que mais me incomoda naquela grandessíssima PT... são os grandessíssimos filhos da PT..., que sem fazer nada, recebem as pingas todas por atacado e mais salário premiado.
Coitada da PT. Tanto trabalho, tanta pinga, tanta teia, tanta rede.
Filhos da PT...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

100 anos de república

Para quem gosta de festas, os 100 anos da república portuguesa comemorados durante este ano, 2010, faz lembrar a festa da "matança do porco" que se realiza um pouco por todo o nosso país, nomeadamente nas aldeias do Norte, Beiras e até no Alentejo. Os galegos falam na "Matanza" como sendo a festa rainha da família, amigos e comunidade.
Por cá, a preparação da matança é organizada uma semana antes do evento, contratam-se os homens para pegar nas pernas do porco, trata-se com o matador, que traz os seus próprios cutelos e facalhão fendido para atravessar o gasganete do suíno e deixar passar o sangue para o alguidar.
O dia escolhido da matança deverá ser frio, seco e de preferência antes do carnaval, porque depois entra a quaresma e jejum. A hora da golpada será bem cedo pela alvorada.
As crianças poderão assistir à festa desde que não chorem o porco, se não sofre mais e não morre.
O espectáculo que segue a facada final é de luz, fogo e palha a arder para "escalpelar" o courato do russo e assim fortalecer a couraça da tora, pás e presuntos.
A paga pelos préstimos e serviços do matador e homens de apoio é efectuada em géneros de sarrabulho da própria vitima, o porco, e após a desmancha final para se obter rojões. A saber, tripa farinheira, bolacho, verde, fígado, rim, boche e rojão.
Esta festa dura cerca de uma semana após o óbito do bicho, o que significa apanhar um ar "tresandabundo" a vísceras, sangue e carne durante pelo menos 7 dias.

Voltando ao assunto da república, se bem se lembram, foi preparada a "matança" uns anos antes, aí por 31 de Janeiro, antes do carnaval, portanto.
Aí por 2 de Fevereiro, uns anos após o preparo, mas antes do carnaval, foi dada a golpada sangrenta sobre um português, em solo português, por matador português e com homens de apoio portugueses.
Como bons portugueses que somos, e gostamos de festas bravas, levamos a família toda para a "matança" e nos anos seguintes comemoramos a mesma com o mesmo ritual e pedindo às crianças para não chorar porque senão o "bicho" o tal português objecto da matança não morre.
Assim e após cem anos mais dois, da celebre facalhada, o nosso país continua a fraternal tradição de a comemorar com fogo e luz, tripas e bolachos, muito sarrabulho e 10 milhões de euros a distribuir pelo matador e homens de apoio.
Viva a tradição.

O imperdível Sr. Medina Carreira

Eles falam , falam, falam … e não os vejo a fazer nada…

O Sr. Medina Carreira também já passou pelo governo…

Já lá vão quase 900 anos de luta desenfreada do CONTRA. Contra tudo e contra todos. Contra a mãe, os mouros e castelhanos. Contra o abismo do bojador, cabos de tormentas e adamastor. Contra os judeus e jesuítas. Contra o marquês, os franceses e os absolutistas. Contra os Ingleses. Contra o Rei, os republicanos e Salazar. Contra os pretos. Contra os fascistas, o PREC e os comunistas. Contra o Sá Carneiro. Contra o Mário Soares e o Cavaco. Contra o Sócrates e os socialistas…

Mas será que alguém tem a coragem de lutar contra os PORTUGUESES… e expulsá-los definitivamente deste país, que não fossem os portugueses era perfeito, belo, espectacular, fantástico, enfim… não era nosso… mas doutros palermas quaisquer.

Um abraço e viva ao desenrascanço português (ou portuguese desenrascaco na língua de Sua Majestade).

P.S. : não sei porquê, mas depois de escrever isto ainda gosto mais de ser português.

Glossário à moda do Minho, Porto incluído

Gostaria apenas de reforçar que grande parte do glossário apresentado na publicação "Herois à moda do Porto" está inserido na Região do Minho, onde Braga predomina, influenciando o Porto e vice-versa.
Dou alguns exemplos que gostaria de ver publicados sob o risco de se perderem definitivamente no vocabulário moderno: Mais velho que a sé de Braga – Muito antigo. Ver Braga por um canudo – Miradouro-luneta do bom Jesus sobre a cidade de Braga. És de Braga – Referência ao Arco da Porta Nova, quando alguém deixa a porta aberta. Pariu a loura – Ajuntamento de pessoas, multidão, engarrafamento. Basqueiro – Muito barulho. Forrinhos – Sótão da casa. Rapelha velha – Carro antigo. Televisão sem fios – visão das calcinhas de rapariga sob a minissaia. Tia Maria – Menstruação. Redouça – Baloiço de parque infantil. Quelha – Rua estreita. Cangosta – Caminho estreito e escuro. Rodilha – Pano de cozinha, pano para enrolar na cabeça e transportar pesos, pano para o joelhos nas romarias. Andar ó tio ó tio – Andar a procura de qualquer coisa, pessoa ou lugar. Como o tolo em cima da ponte – Desorientado, indeciso. Pincha-no-Crivo – Pessoa inconstante, não para em nenhum lugar (ex.Santana Lopes). Pijeiro – Mal vestido, mal arranjado.

Gibreiro - pessoa rude. Carunha – Caroço de cereja ou azeitona. Carapulho – Tampa de esferográfica. Tomar pela soga – Prender, aprisionar, não dar liberdade. Tu a dar-lhe e o burro parado – dar uma instrução inconsequente, ou incompreensível. Camurcina – Casaco curto, de ganga ou bombazina. De corpinho bem feito – pouco agasalhado(a). Pau de virar tripas – Muito magro(a), escanzelado(a). Seba – Mulher gorda, porca de reprodução. Apoliar as tonas – atirar cascas de laranja literalmente. Choio – Trabalho chato, biscate. Penca – Nariz grande. Moncos – Ranho do nariz. Poio – Fezes enroscadas. Bosta – Fezes bovinas. Lab(v)adura – Restos domésticos para alimentação suína. Tora – Pedaço de porco gordo para colocar na sopa. B(V)erde – Sangue de porco coagulado para colocar no sarrabulho. Piche – Alcatrão para estradas ou canalizações. Picheleiro – Canalizador. Tratar como uma copa de palha que aqui anda– Maltratar, subestimar. A modinho - com calma. Como a saca e o atilho - inseparáveis. À turra e à massa - chatear um ao outro.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Justo é o CARALHO (de autor anónimo)

Nota introdutória: Este texto não é da minha autoria, mas achei-o bastante interessante para o publicar no "pincha no crivo" e caso o autor anónimo não concorde com a sua publicação neste blog, peço-lhe que me informe sobre esse facto.Contêm linguagem susceptível de chocar algumas pessoas.

Parece que o Primeiro Ministro terá dito que desta vez os
> sacrifícios serão distribuídos de forma mais justa.
> Justa é o CARALHO!!!!

> São 23 horas, cheguei agora a casa e trabalhei hoje doze
> horas. O meu filho já esta a dormir. Este ano já paguei em
> impostos e multas dezenas de milhares de euros, todos os
> meses pago um balúrdio de TSU, tenho custos financeiros
> indescritíveis por causa da forma como é cobrado o IVA, pago
> o PEC sobre um rendimento que pode não acontecer e este
> filho da puta vem-me
> dizer que os sacrifícios serão distribuídos de forma mais
> justa???

> O CARALHO!!!!!

> Tenho semanas durante o ano em que trabalho 20 horas por
> dia, este fim de semana não sabia sequer que dia era, no dia
> da greve de uma chusma de paneleiros andei na estrada a
> pagar portagens e a trabalhar para poder pagar impostos,
> comecei numa puta duma garagem sozinho e dei trabalho a uma
> carrada de gente a quem pago o IRS, a Segurança Social,
> Seguros de Trabalho e todas as taxas que o estado me exige,
> não negoceio salários brutos, por isso que vão para o
> CARALHO com as contribuições dos trabalhadores, pago
> salários decentes e recuso-me a pagar o salário mínimo a
> seja quem for, investi e perdi, arranjei-me, voltei a
> investir e falhei de novo, recuperei e investi de novo e
> consegui.

> E estes paneleiros do CARALHO vêm agora dizer-me que os
> sacrifícios são distribuídos de forma justa???; como o
> Guterres que fodeu o pais todo com o rendimento mínimo
> garantido, a pior opção económica de sempre, nem sabem
> sequer o que é não dormir, desesperar, cair e levantar sem
> pedir um tostão que seja ao filho da puta do Estado?! Nem
> subsidio de desemprego nem o CARALHO?! E tenho que ouvir
> todos os dias as queixinhas dos funcionários,
> dos professores com horário zero (!), dos funcionários dos
> correios, dos anacletos e afins, que fujo ao
> fisco, que exploro os trabalhadores, que tenho que pagar
> mais impostos, que sou um parasita?!

> Já paguei todos os impostos de facturas que até agora não
> consegui cobrar (IVA e IRC), paguei IRC sobre stocks que não
> sei se algum dia conseguirei vender e os sacrifícios são
> distribuídos de forma justa?! Justo é o CARALHO.
>
> Os 2000 funcionários da CM de Albufeira trabalham das 9h às
> 15h com intervalo para almoço e de caminho a mesma CM
> entrega e paga serviços a empresas privadas; decidiram mudar
> a escada da parte velha, fecharam-na, derrubaram a antiga e
> colocaram a estrutura em metal, e após quinze dias retiraram
> a mesma estrutura e colocaram-na em madeira! E ainda queriam
> fazer um elevador até à praia!!! E eu pago. Num qualquer Instituto
> mais de 50 chulos tratam de 9(!) putos. E eu pago.
> Substituem administradores pagando indemnizações, contratam
> o Fernando Gomes e o Nuno Cardoso(!!!!). E eu pago. Inventam
> Institutos e Fundações. E eu pago. Inventam as SCUTS. E eu
> pago. O PEC. E eu pago. O Presidente apela ao patriotismo. E
> eu pago.

> Sr. Presidente, com todo o respeito que me merece: Vá-se
> foder!, você e os camaradas no avião fretado para irem
> passear para a China.

> A CM de Paredes de Coura faz Parques de estacionamento sem
> trânsito. E eu pago. O anacleto Sá Fernandes rebenta com o
> CARALHO do orçamento da CM de Lisboa. E eu pago. O Sócrates
> vai á bola de avião Falcon da Força Aérea. E eu pago.
> Sacrifícios???!! De quem, CARALHO?! Prestam-me um serviço de
> merda na saúde, a educação é tão miserável que sou obrigado
> a por o meu puto num colégio privado, nem me atrevo a cobrar
> dividas em Tribunal devido à miséria que é a Justiça. E
> pago. Preciso de uma puta de uma cirurgia e tenho dezasseis
> mil pessoas em lista de espera, pelo que se não tivesse um
> seguro de saúde estaria como milhares de desgraçados que se
> calhar já morreram. E eu e eles pagamos. Os sacrifícios são
> distribuídos de forma justa?

> Como, CARALHO?!
>
> E aquela esfinge paneleira de óculos que preside ao Banco de
> Portugal, que ganha mais que o secretário do tesouro dos
> E.U.A., está à espera de colectar mais 0,03% do PIB com o
> aumento do IVA? Pois tenho uma pequenina novidade para o
> reconhecido génio. Talhos, advogados, lares, lojas de moveis
> e outros pequenos negócios que conheço já têm a
> contabilidade e pagam impostos em Espanha e eu, assim seja
> possível, no ano da graça de 2008 pagarei todo o
> IVA, IRC e contribuições em Vigo. A chulice destes filhos da
> puta que vá cobrar ao CARALHO!!! E quero que se foda a
> solidariedade e a conversa de merda porque não me sai do
> corpo para o dar a chulos. Por alma de quem? Mais Justo??!! '

> Pois é meus amigos, Justo é o CARALHO QUE OS FODA!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Dr. Jekyll and Mr.Hyde

O senhor ministro das finanças (Mr. Hyde) vai assumir em sobreposição o cargo do ministro da economia (Dr.Jekyll).

Quer dizer que aquele,Mr. Hyde, actua durante a noite cobrando os impostos, penhorando bens, fazendo a vida negra às 300 000 micro e pequenas que labutam diariamente para pagar impostos e manter 1 500 000 empregos.

De dia o bom Dr.Jekyll vai de sorrisinho aberto, apertar as mãos, dar palmadinhas nas costas de meia duzia de senhores empresários, os grandes, que para além de fugir aos impostos como o diabo da cruz, passam a sua vidinha de mão estendida ao senhor ministro da economia para uns milhõezinhos.

Para comprovar esta história, veja-se a apologia póstuma do sr. Vanzeller (CIP) ao Sr. Pinho.

Estarão neste momento a planear uma partida de golf no Allgarve?

O dilema do sr. ministro das finanças, Hyde, é que ao acordar no dia seguinte como ministro da economia, Jekyll, não se lembra das maldades praticadas nas cobrança das receitas, nem das vitimas mortais que foi ceifando. Ao Jekyll, resta-lhe a esperança inconsciente que ninguem descubra a marosca e vive o dia a dia na tentativa de evitar cometer as "gaffes" do seu antecessor.

estou em:

Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vê lá onde te Infías!!!

"Localizado junto à rotunda de Infías, nos terrenos da antiga fábrica do Pachancho, o Edifício Zínia vai acolher um Conjunto Residencial Sénior (nos pisos 1 a 7), uma pequeno espaço comercial de quatro lojas (piso 0) e ainda um supermercado da cadeia Pingo Doce (piso -1). "

in http://avenidacentral.blogspot.com/

Tenho vindo a denunciar a persistente falta de autoridade policial e municipal perante as também persistentes irregularidades de utilização da via pública na zona de Infías, nomeadamente na rua Conselheiro Bento Miguel, em frente ao colégio D. Diogo de Sousa sito na freguesia de S. Vicente a mesma onde resido, na rua Maria de Sousa (urbanização Pachancho) na cidade de Braga.






De facto tenho observado que antes e depois das obras de requalificação urbana da referida zona e com o início da época do “regresso às aulas”, a rua Conselheiro Bento Miguel é literalmente “inundada” de viaturas dos progenitores e encarregados de educação dos alunos do dito colégio, que possuindo por sinal muito pouca educação, se atravessam no corredor central da via, na rotunda adjacente e em tudo que seja passeio, separador, lancil, jardim, faixa continua etc. interrompendo diariamente o transito na zona durante pelo menos 1 hora, entre as 8:30 e 9:30. e outra hora no período crítico das 17:00 às 18:00.



É incompreensível que esta situação se mantenha, quando foram gastos muitos fundos públicos do município para requalificar uma zona que merecia melhor atenção cívica por parte de pessoas que pelo seu estatuto económico deveriam ter mais educação no exercício da cidadania.





Gostaria de salientar que existem na proximidade do Colégio D.Diogo de Sousa inúmeros lugares gratuitos de estacionamento de viaturas, como sejam em frente às lojas Pingo Doce (ex-Plus), DeBorla e Junto ao cemitério.

Casos semelhantes a estes verificam-se em pontos também importantes da cidade, onde as autoridades não actuam, não planeiam, nem corrigem como sejam:

- Rua do Raio, entre Senhora-a-Branca e Rechicho: somos sistematicamente obrigados a utilizar o corredor BUS, porque 1ª e 2ª filas estão sistematicamente ocupadas pelos “pópós” dos “papás”.

- Variante rápida à EN101, Braga - Prado, nas saídas para Novo Estádio Municipal (corrijo, AXA Estádio) em dias de “bola”: faixas de rodagem e linhas contínuas de berma totalmente ocupadas por “adeptos”; circulação contínua de peões no meio da via, avançando os rails separadores sem atender aos automobilistas que circulam a 90-100 km/hora.

- Avenida da Liberdade; 2ªfila, estacionamento sobre passeios

- Avenida Central; idem;

- Rua de Caíres; ibidem;

- Etc. etc.

Será muito pedir aos “papás” que façam um pouco de exercício a pé para levar os meninos à escola. Até era mais bonito para os filhos, para os colegas dos filhos e impressionaria certamente os restantes “papás” infractores, que poderiam até ensinar novos exemplos aos seus filhos, melhores do que aqueles com que foram ensinados pelos seus próprios papás há 20 anos atrás e certamente nos mesmos locais.

A educação é assim. Multigeracional. Os bons exemplos transmitem-se de pais para filhos. As autoridades só têm que colaborar. São pagas para isso por todos nós.

Agora e relativamente ao edifício "Zínia", sobre o antigo edifício Pachancho, convém não esquecer que antes de ser Pachancho, as edificações existentes de arquitectura sóbria e bons materiais eram destinadas a ser o Hospital de Braga. E porquê? Porque o terreno alto, seco, rochoso, arejado e sossegado reunia as condições ideais para um hospital. Ao contrario do actual S.Marcos, fundo, húmido, freatico e bastante ruidoso.

Pelas mesmas razões está a ser construido em "zona alta" o novo hospital, excepto que vai danificar irreversivelmente o corredor verde das "sete fontes". E para o mal de todos os bracarenses.

Assim está resolvido parte do problema dos seniores. Mas não estará certamente resolvido o problema do transito e acessibilidades, como não estará resolvido o problema do sossego.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O TGV e a pata espanhola

Sobre o tão propalado TGV com ligação de Lisboa a Madrid, surgem-me na memória acontecimentos recentes que comprovam a grande mediocridade dos governantes portugueses dos últimos dois séculos relativamente aos poderes de Castela sobre a Ibéria.

Para quem, como eu, cultiva a memória dos 900 anos do nascimento de Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal, em ambiente contraditoriamente republicano, estranha que sejam comemorados no ano que vem os 100 anos da implantação da república em Portugal, precisamente dois anos após o assassinato perpetrado por portugueses, em solo português, de um português, que por acaso, era a figura pública denominada Rei de Portugal.

Entretanto, e porque a memória falha aos nossos ilustres governantes nos acontecimentos fundamentais, há pouco mais de 200 anos (1801) , foram invadidas importantes praças fortes raianas pelas tropas de suas Majestades Católicas de Espanha, nomeadamente, Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Campo Maior e Ouguela, e por fim mas não menos importante Olivença, sendo esta última parte integrante do território português em Espanha...

Mais atrás no tempo, recordarei a única época historica em que Lisboa e Madrid se juntaram estratégicamente, para que de uma forma bastante subtil, Lisboa desaparecesse e Madrid dominasse toda a Ibéria.

Este facto histórico aconteceu durante 60 anos, de 1580 a 1640 e marcou muito pesadamente a estratégia de um país como Portugal que tinha consolidado um Império sui generis, pioneiro, global e multicultural.

A primeira machadada provocada nessa época pelos Filipes de Espanha foi a destruição, propositada, da Maior Armada do Mundo, a Portuguesa, contra os nossos aliados Ingleses.

Com esta perda, foram subtraidos aos portugueses, os principais canais comerciais marítimos do Atlântico e do Índico, dando lugar aos novos predadores da Inglaterra, França e Holanda na conquista das "Índias".

Voltando à polémica do TGV, na sua ligação Lisboa-Madrid.
Todos sabemos por experiência que a ligação de Portugal à Europa por via terrestre é tradicionalmente feita há seculos, pelo Norte peninsular. Não porque é tradição, mas porque é mais perto.
A ligação de qualquer ponto da peninsula ibérica a Madrid é puramente artificial e muito recente.
Se analisarmos a história recente da evolução da linha férrea em Espanha, Madrid surge isolada das cidades do litoral ibérico, como Barcelona, Bilbau ou Vigo.

As próprias linhas rodoviárias modernas de ligação da Galiza ao centro de Espanha, foram efectuadas apenas nos anos 90 do século XX. O mesmo acontecendo com o País Basco e Navarra.

Isto só prova que não existe de forma natural, necessidade de ligar Lisboa a Madrid por TGV. Porque os principais fluxos comerciais e populacionais da Ibéria não passam por aí.

Se o nosso rumo é a Europa, sugiro que peguem no mapa e marquem:
1ª alternativa - Lisboa-Porto-Vigo-Burgos-San Sebastian(Donostia)-França.
2ª alternativa - Lisboa-Aveiro-Salamanca-Burgos-San Sebastian(Donostia)-França.
3ª alternativa - Lisboa-Badajoz (ou Cáceres)-Madrid-... para onde...? Para quê?...

A 1ª alternativa pressupõe uma utilização bastante lucrativa da Linha do Norte e "abastece" a maior fronteira da peninsula ibérica em pessoas, veiculos e mercadorias (Valença do Minho).

A 2ª alternativa serviria o maior corredor rodoviário de mercadorias da península ibérica e com rumo à Europa.

A 3ª alternativa serviria apenas e só Madrid, para se ir aos saldos e comer tapas na "Castelhana", e dessa forma eliminar gradualmente qualquer estratégia de médio/longo prazo para Lisboa e para o futuro de Portugal como nação independente.

Haja razão e juizo

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Predios devolutos nas nossas cidades

Os três vértices do urbanismo desregrado nas nossas cidades é:

Excesso de oferta de prédios novos na periferia

Desertificação nos centros das cidades históricas

Prédios devolutos em mau estado nos centros históricos

Este fenómeno poderia ser aceitável nos anos 80 do século passado, devido a uma certa ressaca da revolução dos cravos. Nesses tempos já remotos o conservadorismo ainda era pecado enquanto o novo-riquismo pós revolucionário bem sucedido significava o financiamento puro e duro da nova democracia.

Hoje, em pleno século XXI, maduros democratas ainda vivem do paradigma "pato bravo" rico que compra, vende, aluga, troca, muda, constrói, destrói, paga, suborna, financia, corrompe.

Veja-se a proposta da LEI DE FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS POLÍTICOS. Unanimidade total na assembleia da república. Chumbo apenas no Cavaco.

Isto vem a propósito do triângulo amoroso mais poderoso do mundo democrático:

Licenciamento camarário de construção imobiliária em tudo que é zona verde, alegando não poucas vezes interesse público "naquela estrada para servir a escola" que passa mesmo por cima da quinta do fulano que de agricultor tem pouco mas constrói razoavelmente (mal) e apoia bem melhor o partido e a campanha.

Se os municípios necessitam de receitas limpas e honestas, porque não taxam múltiplas vezes em IMI, os prédios devolutos nos centros históricos? Será por uma boa parte deles serem da própria autarquia?

Ou melhor, e se não for competência daqueles, porque não se aprova na Assembleia da República e por unanimidade, uma LEI de penalização máxima em IMI, aos senhorios que possuem prédios nos centros históricos "a cair"?

A cenoura à frente do burro poderia ser: se fizerem obras, são concedidos créditos de bonificação máxima para requalificação, licenciamento simplificado e desburocratizado das obras e desde que os objectivos finais sejam de arrendamento ou venda para habitação permanente em primeiro, escritórios em segundo e comércio e serviços em terceiro.

Como reserva de valor sobre a requalificação urbana existente, ou mesmo as construções existentes fora dos centros que possuam valor de requalificação, e de forma a manter os indices pouco prováveis de aumento populacional, deveria ser constitucionalmente proibido construir novo em qualquer zona verde, agricola, florestal, montanha, estuário ou zona costeira que não possuam actualmente qualquer tipo de construção.

Não é difícil encontrar um pouco por toda a parte edifícios, historicos ou não, que necessitam de remodelação. O Racio entre o que á possível requalificar e as espectativas de crescimento populacional é francamente superior a 100%.

Isto obviamente que afectaria a grande maioria dos projectos PIN em curso (ou em projecto) nomeadamente para o alentejo e algarve. Que afecte. Não faltam no interior do país, fortalezas, mosteiros e castelos para recuperar e criar novos atractivos para o turismo.

Mas já dizia recentemente Manuela Ferreira Leite, que se tivermos que suspender as grandes obras públicas, então suspendemos.

Esta Reserva de Valor Constitucional, que "teve" exemplos muito inovadores e meritórios por parte do arquitecto paisagista Ribeiro Teles, na figuras de Reserva Agrícola e Ecológica e nos idos anos 70/80 pós revolução, mereceria também unanimidade na Revisão Constitucional da Assembleia da República. Haja razão.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Os três nãos do futuro e a quinta vaga

Se queremos viver no futuro com saúde e bem estar de forma infinitamente renovável (os nossos filhos, netos, bisnetos, etc) então chegou a altura de dizer não, não e não a três palermices que de tão simples são tão funestas, a saber:

Não destruir o que está bem construído

Não construir onde não está construído

Não construir o que não é necessário

Dito de outra forma:

Requalificar as construções existentes nas aldeias, vilas e cidades, se de boa construção ou possuindo valor histórico-cultural ou não o sendo, demolir e construir sobre.

Evitar ocupar ou construir nas zonas verdes agrícolas, florestais, montanhosas, de estuário ou costeiras

Evitar construir acima das necessidades populacionais ou da oferta imobiliária existente.


Em termos funcionais devermos dizer três nãos fundamentais à sobrevivência futura :

Não ao abandono das zonas rurais, agricultura e silvo-pastorícia

Não ao abandono sistema produtivo tradicional do tipo entra matéria-prima sai produto acabado

Não ao abandono dos sistemas tradicionais de comércio nos cascos urbano-históricos das vilas e cidades, feiras e mercados

A chamada terceira vaga dos serviços, e mais ainda a quarta vaga das comunicações rápidas e virtuais não sobreviverão sem a consolidação das vagas primárias e secundária na terra real.

Ao homem físico, real e terreno, é chegada a altura de lhe devolverem o seu ecossistema natural e social. A sua ligação à terra torna-se fundamental para a sua sobrevivência e sustentabilidade.

O saber fazer com braços, pernas e mãos é a cada dia que passa uma necessidade fundamental, que estando praticamente esquecida e desprezada pelas sucessivas vagas, industrial, terciária e virtual (fenómeno playstation) está nos dias de hoje, de forma ansiolítica, na fila de espera dos ginásios, das caminhadas e do btt. Ou no caso dos mais velhos, à porta do Centro de saúde e da Farmácia em busca da imortalidade.

Por aquelas razões e constatações a quinta vaga, será o regresso às origens; o remexer na terra, o ver crescer uma planta, o cuidar geometricamente da horta diaria e sazonal, o conduzir e vigiar o rebanho.

A quinta vaga será o prenuncio da continuidade infinitamente renovada da natureza e da sua relação com o homem, como eu, ou como tu, ou como todos os outros que estão cá e que hão de vir.